sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"E sempre que posso, encho-me da tua ausência. E sinto-me quase feliz." 
 
Luis Ene
 
Foto: "E sempre que posso, encho-me da tua ausência. E sinto-me quase feliz." Luis Ene 

Fotografia encontrada algures na fabulosa www

Desejo

Como se define no texto que se segue, o Desejo anda escondido no meio de outras definições que se confundem...




"Desejo. É uma coisa engraçada e dá-se-lhe pouco apreço. No amor todos querem espetar o dedo, como quem gira um globo de plástico e o pára só para dizer "Estive aqui!", apontando para um sítio do planeta. "Amei aqui!", dedo espetado na ferida que esse bastardo tem por costume deixar. Do desejo fala-se pouco: levantam-se mãos que “Não fui eu!”. Varre-se para debaixo do tapete, desligam-se as luzes antes de o cumprimentar, porque ai de quem lhe veja os olhos. O seu lado lunar, pulsando vaidades animalescas que ninguém consegue pintar em alegorias. O amor ensina-se às crianças; sexo tem idade. Podemo-nos apaixonar aos 4 anos e seremos idolatrados do infantário à reforma – é história de se gabar aos netos. Se aos 4 fala de sexo, é prematura e dir-se-à promíscua até aos 30 – e só os pais saberão o pudico e secreto incidente. Contam-se romances e interioriza-se que o amor é uma coisa tão agradável que não lhe bastam todas as metáforas nem suficientes lhe são todas as líricas. O amor é como um suminho de laranja natural, apetece. A apregoada imagem de um casal idoso que dá as mãos, passeando na rua, comove mundos. Imaginam-se enredos, de uma paixão proibida, restringida, e um amor que vinga incondicional e independentemente. Não há histórias da luxúria na primeira pessoa, os contos exigem coerência que o desejo não tem. Desejo-te. Não se diz. É comprido demais, tem muitas sílabas, não fica bem em inglês e certamente se perde nas traduções para o francês. Roça o pornográfico se virmos por línguas espanholas. Cai em desuso, porque áspero. O desejo é como um limão, não se lhe pode trincar que incomoda até às vísceras. Até faz parecer que não se gosta de uma pessoa: queremo-la. E se "quero-te bem" é amoroso, "quero-te", assim, sozinho, desnudo, já parece capricho. Mas queres porquê? Egoísmo, pela certa! E ai dos Homens que se prestem a vanglórias, olhem o amor que é altruísta! Coisa bonita! Existe para lá do corpo e... morre sem ele. Porque dêem-me quantas líricas queiram, poética que o seja, não vejo amor sem desejo. Sem um "chega-me para cá essas pernas, mulher!" ou um agarrar de unhas cravadas nas costas dele, porque se o deseja por inteiro. Só havendo laranjas, não nos sai da cabeça a imagem amarela e reluzente daquele limão - Trinca-me.
E porque é o que mais nos aproxima dos animais, é o que mais nos assusta. Julgamo-nos tão racionais e, no final de contas, tão especiais... que nos esquecemos que é o desejo que nos alimenta o amor. Impropriamente, o Amor Próprio - rei de todos os outros."

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

One and only


Como uma letra de uma música faz tanto sentido e diz tanto que eu não consigo dizer...



You've been on my mind
I grow fonder every day lose myself in time
Just thinking of your face God only knows
Why it's taking me so long to let my doubts go
You're the only one that I want

I don't know why I'm scared, I've been here before
Every feeling every word, I've imagined it all,
You never know if you never try to forgive your past
And simply be mine

I dare you to let me be your, your one and only
Promise I'm worthy to hold in your arms
So come on and give me the chance
To prove up I'm the one who can
Walk them miles
Until the end starts
Warping on your mind

You hang on every word I say, lose yourself in time
At the mention of my name, will I ever know
How it feels to hold you close
And have you tell me which ever road I chose you'll go

I don't know why I'm scared, I've been here before
Every feeling every word, I've imagined it all,
You never know if you never try to forgive your past
And simply be mine

I dare you to let me be your, your one and only
I promise I'm worthy to hold in your arms
So come on and give me the chance
To prove up I'm the one who can
Walk them miles
Until the end starts

I know it ain't easy
Giving up your heart
I know it ain't easy
Giving up your heart

Nobody's perfect, it ain't easy, trust me I've given up your heart
Nobody's perfect, it ain't easy, trust me I've given up your heart

I know it ain't easy
Giving up your heart
Nobody's perfect, it ain't easy, trust me I've given up your heart

I dare you to let me be your, your one and only
I promise I'm worthy to hold in your arms
So come on and give me the chance
To prove up I'm the one who can
Walk them miles until the end starts
Come and give me the chance
To prove that I'm the one who can
Walk them miles until the end starts.

domingo, 19 de agosto de 2012

Lounge

Sem antes ter dado atenção à letra, hoje parei para ouvir e conta uma história que eu conheço

Vamos prum lounge
Beber um vinho safra ruim
E conversar sobre a tv
Vamos pra longe
Sem se tocar os olhos vão
Se encontrar e se perder


Eu e você assim de perto dá
Pra eu me perder de vez nas tuas tintas
Me dê uma noite, um pouco da manhã
Só pra eu sacar se os olhos mudam de cor

Vamos entrar
A minha casa não é quente
Trago um vermelho pra esquentar

Vamos suar
Com o veneno da serpente
Que eu roubei pra te picar
 
Eu e você assim de perto dá
Pra eu me perder de vez nas tuas tintas
Me dê uma noite, um pouco da manhã
Só pra eu sacar se os olhos mudam de cor

Vamos prum lounge...
Lounge, Maria Gadú

sábado, 18 de agosto de 2012

Quando nos Apaixonamos

 Fotografia: http://phatpuppy.deviantart.com/art/Greet-the-Morning-130585542

"Quando nos apaixonamos, ou estamos prestes a apaixonar-nos, qualquer coisinha que essa pessoa faz – se nos toca na mão ou diz que foi bom ver-nos, sem nós sabermos sequer se é verdade ou se quer dizer alguma coisa — ela levanta-nos pela alma e põe-nos a cabeça a voar, tonta de tão feliz e feliz de tão tonta. E, logo no momento seguinte, larga-nos a mão, vira a cara e espezinha-nos o coração, matando a vida e o mundo e o mundo e a vida que tínhamos imaginado para os dois. Lembro-me, quando comecei a apaixonar-me pela Maria João, da exaltação e do desespero que traziam essas importantíssimas banalidades. Lembro-me porque ainda agora as senti. Não faz sentido dizer que estou apaixonado por ela há quinze anos. Ou ontem. Ainda estou a apaixonar-me.

Gosto mais de estar com ela a fazer as coisas mais chatas do mundo do que estar sozinho ou com qualquer outra pessoa a fazer as coisas mais divertidas. As coisas continuam a ser chatas mas é estar com ela que é divertido. Não importa onde se está ou o que se está a fazer. O que importa é estar com ela. O amor nunca fica resolvido nem se alcança. Cada pormenor é dramático. De cada um tudo depende. Não é qualquer gesto que pode ser romântico ou trágico. Todos os gestos são. Sempre. É esse o medo. É essa a novidade. É assim o amor. Nunca podemos contar com ele. É por isso que nos apaixonamos por quem nos apaixonamos. Porque é uma grande, bendita distracção vivermos assim. Com tanta sorte."
Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (14 Fevereiro 2012)'

Pausas

 Foto: Cunene
Depois de mais uma pausa regresso lentamente a mim. Dizer que encontrei o ponto de equilíbrio ideal seria um prazer que neste momento, apenas está próximo. Sei que lá hei-de chegar. 

Reencontrar quem sempre me fez bem e com uma abertura e proximidade que ainda não tinha alcançado, faz-me sentir leve, calma e com desejo de descobrir ainda mais. Sei que vou lá chegar. Como escreveu Paulo Coelho, ''Quando você quer alguma coisa, todo o universo conspira para que você realize o seu desejo.''. Que assim seja.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Hiding my heart away






Vou gostar de entender o dia em que souber porque as músicas que me roubam as lágrimas cruzam o meu caminho nos momentos certos... e ainda sou capaz de dizer que não há coincidências? Cada vez menos.
Já passei pelos desencontros, pelos devaneios, pelos pés demasiado na terra, pelas ausências de mim que não quis sentir. Agora, não posso dizer que deixo nas mãos do destino, porque somos nós próprios que o construimos ao longo do caminho, mas vou esconder este meu coração de passarinho, desta vez...


Hiding My Heart Away

So this is how the story went


I met someone by accident


who blew me away


who blew me away






It was in the darkest of my days


When you took my sorrow and you took my pain


And buried them away, you buried them away






And I wish I could lay down beside you


When the day is done


And wake up to your face against the morning sun


But like everything I've ever known


you'll disappear one day


So I'll spend my whole life hiding my heart away






I dropped you off at the train station


And put a kiss on top of your head


I watched you wave


I watched you wave


Then I went on home to my skyscrapers


Neon lights and waiting papers


That I call home


I call that home


I wish I could lay down beside you


When the day is done


And wake up to your face against the morning sun


But like everything I've ever known


You'll disappear one day


So I'll spend my whole life hiding my heart away


Away

I woke up feeling heavy hearted


I'm going back to where I started


The morning rain


The morning rain


And though I wish that you were here


On that same old road that brought me here


Is calling me home


Is calling me home



I wish I could lay down beside you


When the day is done


And wake up to your face against the morning sun


But like everything I've ever known


You'll disappear someday


So I'll spend my whole life hiding my heart away


I can't spend my whole life hiding my heart


away

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Vou deixar-te no fio da tua fala.


A PELE QUE HÁ EM MIM (Quando o dia entardeceu)

Quando o dia entardeceu



E o teu corpo tocou


Num recanto do meu


Uma dança acordou


E o sol apareceu


De gigante ficou


Num instante apagou


O sereno do céu






E a calma a aguardar, lugar em mim


O desejo a contar, segundo o fim.


Foi num ar que te deu


E o teu canto mudou


E o teu corpo do meu


Uma trança arrancou


E o sangue arrefeceu


E o meu pé aterrou


Minha voz sussurrou


O meu sonho morreu






Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.


Dá-me o quarto vazio da minha casa


Vou deixar-te no fio da tua fala.


Sobre a pele que há em mim


Tu não sabes nada.






Quando o amor se acabou


E o meu corpo esqueceu


O caminho onde andou


Nos recantos do teu


E o luar se apagou


E a noite emudeceu


O frio fundo do céu


Foi descendo e ficou






Mas a mágoa não mora mais em mim


Já passou, desgastei, pra lá do fim


É preciso partir, é o preço do amor


Pra voltar a viver, já nem sinto sabor


A suor e pavor, do teu colo a ferver


Do teu sangue de flor, já não quero saber






Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada


O meu barco vazio, na madrugada


Vou deixar-te no frio, da tua fala


Na vertigem da voz, quando em fim se cala

sábado, 26 de novembro de 2011

Fallen



Origem da imagem: http://www.stumbleupon.com/refer.php?url=http://img3.im....35.jpg


Do you remember me,
I'm just a shadow now..
This is where I used to be..
Right here, beside you.
Sometimes I call your name..
High on a summer breeze.
What I would give,
To feel the sunlight on my face..
What I would give,
To be lost in your embrace...

I've fallen from a distant star..
feat Came back, compelled because I love..
I'm caught between two different worlds,
I long for one more night on earth..

Do you believe in dreams..
That's how I found you...
But I can't be with you..
Till you take a leap of faith..
What I would give,
To feel the sunlight on my face..
What I would give,
To be lost in your embrace...

I've fallen from a distant star..
Came back, compelled because I love..
I'm caught between two different worlds..
I long for one more night on earth...


Fallen - Blank & Jones (Delerium & Rani)



O que dizem as tatuagens



"Acredita-se que esta tatuagem simboliza o Vento sobre o Céu do I Ching, um texto chinês antigo chamado "Livro das Mudanças". O significado do símbolo é: "Forçar o teu caminho só te trará azar. Permanece concentrado no teu caminho e remove os obstáculos com ações gentis. Olha para o longo prazo. Planta as sementes correctas para uma boa colheita no futuro. Cultiva a paciência, a tolerância, a adaptabilidade e o desapego. Aceita que tudo o que podes mudar és tu" "

Texto
O que dizem as tatuagens de Johnny Depp? de Starlounge in http://starlounge.pt.msn.com/gallery.aspx?cp-documentid=159903132&page=6


Para quem diz que tatuagem é simplesmente uma moda, eu digo que tem muito significado para quem as coloca no corpo...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dia de Palíndromo 11.11.11

"11/11/11 11:11:11

Sexta-feira é dia de palíndromo
Quando passarem 11 minutos e 11 segundos das 11 horas desta sexta-feira de novembro (11/11) - de 2011 -, estaremos perante um palíndromo de 12 dígitos, perfeito para grandes decisões, alegam alguns, ou apenas para olhar para o relógio e fixar o momento: é que outro, só daqui a 100 anos
16:37 Terça feira, 8 de Nov de 2011

Na verdade, o palíndromo - sequência de unidades que pode ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita - desta sexta-feira não é perfeito, uma vez que, embora se escreva vulgarmente a data 11/11/11, por extenso seria 11/11/2011, o que anula o efeito.

Mas isso não impede o momento marcado para as 11 horas e 11 minutos e 11 segundos desta sexta-feira de estar rodeado de misticismo e superstições pela sua raridade - o mesmo dígito repetido 12 vezes. O próximo só daqui a 100 anos, quando estivermos em 2111.

Os jornais indianos dão conta de um pico de casamentos marcados para essa hora, a banda Black Sabbath fará "anúncio especial" e vários sites publicam teorias de interpretação do significado da curiosa data.

Uma das mais curiosas iniciativas previstas pretende pôr telemóveis de todo o mundo a tocar a mesma música ao mesmo tempo. No site http://sinfoniamasiva.org/ é possível fazer o download (para já só para o sistema Android, mas em breve para iPhone/iPad) de uma aplicação que deverá ser ligada pelas 11h00 do dia 11, de forma a sincronizar-se com todos os dispositivos que adiram à iniciativa. À hora certa, todos os telefones começarão a tocar um excerto da Quinta Sinfonia de Beethoven."

Notícia Visão em http://clix.visao.pt/sexta-feira-e-dia-de-palindromo=f632179

domingo, 6 de novembro de 2011

Declarações de Amor

Um dia apaixono-me se receber uma declaração de amor assim!


She can kill with a smile
She can wound with her eyes
She can ruin your faith with her casual lies
And she only reveals what she wants you to see
She hides like a child,
But she's always a woman to me

She can lead you to love
She can take you or leave you
She can ask for the truth
But she'll never believe
And she'll take what you give her
as long as it's free
Yeah, she steals like a thief
But she's always a woman to me

Ooooh she takes care of herself
She can wait if she wants
She's ahead of her time
Ooooh and she never gives out
And she never gives in
She just changes her mind

And she'll promise you more
Than the Garden of Eden
Then she'll carelessly cut you
And laugh while you're bleeding
But she'll bring out the best
And the worst you can be
Blame it all on yourself
Cause she's always a woman to me

Ooooh she takes care of herself
She can wait if she wants
She's ahead of her time
Ooooh and she never gives out
And she never gives in
She just changes her mind

She is frequently kind
And she's suddenly cruel
She can do as she pleases
She's nobody's fool
And she can't be convicted
She's earned her degree
And the most she will do
Is throw shadows at you
But she's always a woman to me

"O amor é sempre uma anormalidade que provoca graves atrasos mentais."



"Fazer um registo de propriedade é chato e difícil mas fazer uma declaração de amor ainda é pior. Ninguém sabe como. Não há minuta. Não há sequer um despachante ao qual o premente assunto se possa entregar. As declarações de amor têm de ser feitas pelo próprio. A experiência não serve de nada — por muitas declarações que já se tenham feito, cada uma é completamente diferente das anteriores. No amor, aliás, a experiência só demonstra uma coisa: que não tem nada que estar a demonstrar coisíssima nenhuma. É verdade — começa-se sempre do zero. Cada vez que uma pessoa se apaixona, regressa à suprema inocência, inépcia e barbárie da puberdade. Sobem-nos as bainhas das calças nas pernas e quando damos por nós estamos de calções. A experiência não serve de nada na luta contra o fogo do amor. Imaginem-se duas pessoas apanhadas no meio de um incêndio, sem poderem fugir, e veja-se o sentido que faria uma delas virar-se para a outra e dizer: «Ouve lá, tu que tens experiência de queimaduras do primeiro grau...»

Pode ter-se sessenta anos. Mas no dia em que o peito sacode com as aurículas a brincar aos carrinhos-de-choque com os ventrículos, Deus Nosso Senhor carrega no grande botão «CLEAR» que mandou pôr na consola consoladora dos nossos corações. Esquece-se tudo. Que garfo usar com o peixe. Que flores comprar. Que palavras dizer. Que gravata com que raio de casaco hei-de usar? Sabe-se nada. Nicles.
Olha-se para as mãos e parece uma cena de transformação dum filme de lobisomens — de onde outrora havia aqueles dedos tão ágeis e pianistas, brotam dez abortos de polegares. E o vinho entorna-se só de pensar nisso. E as solas dos sapatos passam a atrair magneticamente todos os excrementos caninos da cidade. E a voz que era toda FM Estéreo da Comercial quando vai para dizer «Gosto muito de ti» fica repentinamente Abelha Maia.
Tenha-se 17 ou 71 anos, regressa-se automaticamente aos 13 — à terrível idade do Clearasil e das sensações como que de absorção. Quem se apaixona dá mesmo saltos no ar e diz «Uau!» quando o Pai deixa usar a pasta de dentes dele. Qual «ternura dos quarenta», qual bota da tropa cheia de minhocas! O amor é sempre uma anormalidade que provoca graves atrasos mentais."




Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A propósito da Amizade



"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
... Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."


Texto de Oscar Wilde


(prometo procurar o original ou uma tradução para português como deve ser

imagem captada algures na net)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Someone Like You: uma cover muito especial



Há boas surpresas na música. Um dia destes ainda vamos ouvir falar desta miúda.

Mesmo quando estas letras nos fazem lembrar...

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Para todo o fim, um recomeço



"É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as orações porque uma não foi atendida, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou. É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel. É loucura deitar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não resultou. Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim, um recomeço."

in Antoine de Saint-Exupéry - O Pequeno Príncipe



Imagem de *Carnegriff



"The robbed that smiles steals something from the thief,
He robs himself that spends a bootless grief."


in William Shakespeare's Othello

Cultura - Entrevista de António Lobo Antunes à RTP - RTP Noticias, Vídeo

Uma daquelas entrevistas que vale a pena escutar

Cultura - Entrevista de António Lobo Antunes à RTP - RTP Noticias, Vídeo

"Uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam."

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Natural Woman

Foto: Mary Nolan (?) copiada de americanduchess.tumblr.com





Porque há dias em que apetece sentir que alguém nos ama até nos sentirmos assim...





Looking out on the morning rain
I used to feel uninspired
And when I knew I had to face another day
Lord, it made me feel so tired
Before the day I met you, life was so unkind
But your love was the key to peace my mind

You make me feel,
you make me feel,
you make me feel like
A natural woman, yeah

When my soul was in the lost-and-found
You came along to claim it
I didn't know just what was wrong with me
Till your kiss helped me name it
Now I'm no longer doubtful of what I'm looking for
Cause if I make you happy I don't need no more

Cause you make me feel,
you make me feel,
you make me feel like
A natural woman

Oh, baby, look you've done to me makes me feel so good inside
And I just want to be close to you
You make me fell so alive

Cause you make me feel,
you make me feel,
you make me feel like
A natural woman

domingo, 28 de agosto de 2011

"Mas eu quero desse tudo dizer também o que aí se oculta."





"O amor é tão monótono, querida. Porque ele é o cimo sensível de uma imensidade de coisas que se esqueceram. Como falar desse mínimo que é o vértice de todo um mundo que o sustenta? Falar de nada, que é o todo nele? Sandra. Podia dizer o teu nome infinitamente na multiplicação do que nele me ressoa. E é assim o que mais me apetece, dizê-lo dizê-lo. E ouvir nele o maravilhoso que me abala todo o ser. Poderia escrever o teu nome ao longo do que escrevo e teria talvez dito tudo. Mas eu quero desse tudo dizer também o que aí se oculta. Dizer o meu enlevo e a razão de ele me existir. As tuas mãos nas minhas. O incrível miraculoso de eu dizer o teu rosto. O ardor de um meu dedo na tua pele. Na tua boca. O terrível dos meus dedos nos teus cabelos. O prazer horrível até à morte da minha entrada no teu corpo."

Vergílio Ferreira in Cartas a Sandra

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada."


Fernando Pessoa
Fonte de imagem: algures no ciberespaço

"Quem me dera um sossego à beira-ser "



"Sim, tudo é certo logo que o não seja.
Amar, teimar, verificar, descrer.
Quem me dera um sossego à beira-ser
Como o que à beira-mar o olhar deseja.."

Fernando Pessoa, Poesias Inéditas

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Porque amar é preciso




Quase por acaso, descobri este poema por uma qualquer sincronicidade que não sei ainda explicar, mas a verdade é que todos os seres deviam amar assim:



Amor Pacífico e Fecundo

Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!


Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Tradução de Manuel Simões in www.citador.pt
Fonte de imagem: algures no ciberespaço





quinta-feira, 28 de julho de 2011

Elogio ao Amor

Pintura de Angela Fraleigh





Elogio ao Amor

“Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”

Miguel Esteves Cardoso in Expresso

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Faces e books



Outra vez o facebook... Acidentalmente removida da lista de um amigo, lá fui eu tentar saber o que se passava por sms, uma vez que não tinha havido atrito algum que pudesse originar este apagão sem razão aparente. Pois que tive direito a resposta telefónica! Lá fiquei "conectada" outra vez.

Conclusão: são precisos contratempos informáticos para falarmos com pessoas que nos fazem bem...






A tranquilidade do coração



Perguntarem se me quero apaixonar agora parece algo muito distante e a resposta é claramente "Não". But why not?

Resolvi que 2011 é o ano da real mudança da/na minha vida. Pensar em mim e no meu trabalho são prioridades e nesses dois campos as mudanças já se sentem... mas sinto ainda aquele vazio que está por preencher há tanto tempo.

"Logic doesn't seem to mind that I am fascinated by the love affair". E esta tem sido uma constante. Por muito gélida que queira ser, há sempre algo que me puxa o coração, a vontade de me apaixonar que me tira toda a lógica que possa existir e que quero manter a quase todo o custo.

Agora, com tudo o que tenho adiado a acontecer é altura de me deixar ir e sentir se tiver que ser. Se não for nada, é só porque não tinha mesmo que ser. Nada de fatalismos, mas... não há acasos...

Baby I'm A Fool

How was I to know that this was always only just a little game to you?
All the time I felt you gave your heart
I thought that I would do the same for you,
Tell the truth I think I should have seen it coming from a mile away,
When the words you say are,
"Baby I'm a fool who thinks it's cool to fall in love"

If I gave a thought to fascination I would know it wasn't right to care,
Logic doesn't seem to mind that I am fascinated by the love affair,
Still my heart would benefit from a little tenderness from time to time,
but never mind,
Cos Baby I'm a fool who thinks it's cool to fall in love,

Baby I should hold on just a moment and be sure it's not for vanity,
Look me in the eye and tell me love is never based upon insanity,
Even when my heart is beating hurry up the moment's fleeting,
Kiss me now,
Don't ask me how,
Cos Baby I'm a fool who thinks it's cool to fall,
Baby I'm a fool who thinks it's cool to fall,
And I would never tell if you became a fool and fell in Love.